A Rosa Negra
Da forma da noite, reúne em sua voluptuosa beleza,
os mais sensuais e obscuros signos nictomorfos.
Ao se oferecer, sombria, brilha na sombra.
Aos poucos, a pouca luz revela os olhos selvagens, negras esferas sedutoras, hipnóticas.
Aproxima-se calma e friamente, soltando os longos cabelos negros
e deixando-os dançar sutilmente.
Com os olhos, caça e aprisiona o meu olhar,
e com a delicadeza de um simples, hábil e maravilhoso movimento,
se despe revelando o palco do pecado.
Com suas mãos macias e o olhar penetrante, toca-me e leva-me ao chão.
Seu perfume envolve meus pensamentos.
Seu corpo acobreado, nu;
exibe uma dança erótica sobre o meu corpo submisso,
chamando-me para o coito. O Ato.
Celestial e Infernal, seu movimento perfeito
leva-me dentro da sua carne, quente e molhada.
Arranca-me gemidos.
E a dança continua por uma eternidade.
E os corpos dançam em perfeita sincronia, ardentes e sensíveis.
No ápice do desejo, da luxuria, da loucura e do prazer, ela olha o céu...
E geme.
A Rosa Libidinosa, agarra meu corpo, e com seus espinhos rasga minha pele.
Meu prazer é intenso, e maior ainda ao vê-la se deliciar com o orgasmo.
O êxtase vai cessando, os corpos se recolhem um ao outro.
Os olhos se olham. Um corpo descansa sobre o outro. A dança cessa.
Saio de dentro dela bem sutilmente, sensível e delicioso.
Quando percebo, a Rosa vai, como veio.
Com seus Negros espinhos ferem agora o coração, ao se revelar uma Rosa Efêmera.
Me fez viver dentro dela, viver seu corpo, sua dança.
Me fez viver intensamente. Sentir a carne, a Vida.
E matou-me... Dentro de mim... Matou-me.
Deixou-me ali.
Morto.
A Rosa se foi.
Foi.
A Rosa Negra.
Di Barros
23 de maio de 2002
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